A menos de duas semanas do início da Copa do Mundo 2026, Marrocos sofre um duro golpe que altera seus planos ofensivos. O atacante Abde Ezzalzouli sofreu uma entorse no ligamento interno do joelho, segundo as informações do jornalista Hanif Ben Berkane publicadas em 8 de junho de 2026. Os primeiros exames médicos afastam o jogador do torneio com um alto grau de probabilidade, os médicos mencionando uma indisponibilidade de pelo menos três a quatro semanas.
Uma lesão que chega no pior momento
A entorse do ligamento colateral medial – comumente chamado de ligamento interno – é uma das lesões ligamentares mais frequentes no futebol de alto nível. Ela ocorre com mais frequência durante um choque lateral no joelho ou um movimento de rotação brusca, situações onipresentes no jogo de um atacante cujo perfil se baseia precisamente em dribles, acelerações e mudanças rápidas de direção. Dependendo da gravidade da lesão – classificada em três graus de acordo com a extensão das fibras ligamentares afetadas – o tempo de recuperação varia de alguns dias a várias semanas. No caso de Ezzalzouli, o calendário médico anunciado, de três a quatro semanas de repouso total, é suficiente para excluir qualquer participação no torneio, cuja fase de grupos começará bem antes do final desse período.
Exames complementares, mais aprofundados, ainda devem ser realizados para determinar com precisão o grau exato da lesão. Esta etapa é indispensável: ela condicionará o protocolo de reabilitação e permitirá avaliar se uma intervenção cirúrgica é necessária ou se um tratamento conservador é suficiente. Mas, independentemente da conclusão definitiva desses exames, o veredicto esportivo já parece ter sido dado.
Um perfil ofensivo difícil de substituir na equipe marroquina
Abde Ezzalzouli se destacou nas últimas temporadas como um dos jogadores mais incisivos da seleção marroquina. Formado na Masia do FC Barcelona antes de se afirmar na Liga, o atacante esquerdo desenvolveu um jogo direto, voltado para o drible e a penetração, que constitui uma opção tática distinta dentro de um coletivo marroquino frequentemente estruturado em torno de uma defesa sólida e transições rápidas. Sua capacidade de eliminar o adversário em um contra um traz uma dimensão vertical que poucos jogadores do grupo conseguem reproduzir da mesma forma.
O treinador Walid Regragui terá que reorganizar suas opções ofensivas com os elementos disponíveis e provavelmente considerar convocar um substituto dentro dos prazos permitidos pela FIFA, que prevê disposições para substituições médicas de emergência na lista final, sob condições rigorosas. Este procedimento, embora regulamentado, deixa uma margem de manobra para as comissões técnicas compensarem ausências tardias desse tipo.
Um grupo difícil que exigia um elenco completo
Marrocos estava inserido em um grupo que inclui Brasil, Haiti e Escócia – uma configuração que, no papel, coloca os Leões do Atlas na posição de sérios candidatos à qualificação, mas diante de uma oposição que não permite relaxamento. O Brasil continua sendo uma das seleções mais fortes ofensivamente no cenário mundial. A Escócia, impulsionada por um espírito coletivo reconhecido, é famosa por suas atuações em competições de prestígio. Nesse contexto, a perda de um jogador capaz de criar perigo com a bola no pé em situações de um contra um não é trivial.
Marrocos teve um desempenho histórico na Copa do Mundo de 2022 no Catar, alcançando as semifinais pela primeira vez em sua história. Esta edição de 2026 era vista como uma oportunidade de confirmar a posição da seleção entre as grandes nações do futebol mundial. A ausência de Ezzalzouli não compromete sozinha as ambições marroquinas, mas lembra o quão importante é a disponibilidade de um elenco completo para as aspirações das equipes em um torneio onde cada partida é disputada em alta intensidade e onde a profundidade do banco muitas vezes faz a diferença.