Cinquenta milhões de dólares para o campeão, uma premiação total de 655 milhões dividida entre 48 nações: a Copa do Mundo 2026, organizada nos Estados Unidos, Canadá e México, levará o futebol a novos patamares financeiros. Além do prestígio esportivo que leva os melhores jogadores do planeta a defender as cores de seu país, a edição de 2026 marca uma ruptura econômica clara com os torneios anteriores – e transforma o próprio sentido da qualificação.
Uma premiação recorde que reflete a expansão do torneio
A FIFA confirmou em dezembro passado que cada seleção participante receberia 1,5 milhão de dólares em despesas de preparação, independentemente de seus resultados. A isso se soma uma premiação de competição de 655 milhões de dólares, um aumento significativo em relação aos 440 milhões distribuídos na edição catariana de 2022. Para lembrar, a Argentina havia faturado 44 milhões ao levantar o troféu, enquanto a França, finalista infeliz, havia recebido 30 milhões.
Em 2026, os valores são revisados para cima em cada fase do torneio. A equipe vencedora receberá 50 milhões de dólares, a finalista 33 milhões. Os semifinalistas eliminados receberão, respectivamente, 29 e 27 milhões, dependendo de sua classificação. Chegar às quartas de final garante no mínimo 19 milhões, as oitavas de final 15 milhões. As equipes eliminadas já na fase de grupos sairão com 9 milhões, e aquelas que superarem essa primeira etapa para avançar à fase eliminatória receberão pelo menos 11 milhões.
Esses números ainda estão aquém dos contratos individuais das estrelas do circuito dos clubes – Cristiano Ronaldo assinou no verão passado um acordo de dois anos por 700 milhões de dólares, um recorde absoluto. Mas para a grande maioria das nações qualificadas, esses fundos representam um aporte estrutural para suas federações respectivas.
Um formato inédito que redistribui as chances e os desafios
Pela primeira vez na história do torneio, 48 equipes participarão da Copa do Mundo. De 1998 a 2022, o número de participantes era fixado em 32. Essa mudança para 48 implica uma reformulação completa do formato da competição.
A fase de grupos mantém o princípio do round-robin com três jogos por equipe: três pontos por vitória, um por empate, zero por derrota. Mas a regra de qualificação evolui: além dos dois primeiros de cada grupo – como era o caso até aqui – as oito melhores equipes classificadas em terceiro lugar também avançam para a próxima fase. Como resultado, a fase eliminatória agora começa com um torneio de 32 equipes, previsto para começar em 28 de junho.
Essa ampliação oferece a mais nações – e a seus torcedores – a experiência dos jogos eliminatórios, com a tensão e a imprevisibilidade que lhes são próprias. Ela também levanta questões sobre o equilíbrio esportivo: com 48 participantes, a diferença de nível entre as melhores seleções e as equipes em desenvolvimento será mais visível, pelo menos nas primeiras fases. A história das Copas do Mundo no entanto, frequentemente desmentiu os prognósticos mais seguros.
O grupo de favoritos: a Espanha na liderança, a Argentina como atual campeã
No aspecto esportivo, várias seleções se destacam claramente. A Argentina, campeã atual e primeira no ranking da FIFA, entra no torneio com a ambição de manter seu título. A Espanha, frequentemente colocada entre os favoritos nos últimos anos e apoiada por uma geração que mistura experiência e jovens talentos excepcionais – como Lamine Yamal – figura no topo de muitos rankings preliminares estabelecidos na primavera de 2025.
A França, finalista nas duas últimas edições e campeã do mundo em 2018, continua sendo uma forte candidata. O Brasil, recordista em títulos com cinco conquistas mundiais, e a Alemanha, tetracampeã cujo último título foi em 2014, completam o círculo restrito das nações capazes de levantar o troféu.
O que a Copa do Mundo 2026 promete, acima de tudo, é uma competição mais densa, mais diversa e financeiramente mais significativa do que todas as anteriores. Para um jogador de futebol profissional, defender a camisa de sua nação nesse contexto não é apenas uma questão de honra. É também, concretamente, uma das cenas mais importantes do esporte mundial.