Os Faraós do Egito finalmente visam as oitavas de final no Mundial 2026

Quatro participações na Copa do Mundo em quase um século: o percurso da seleção nacional egípcia reflete tanto a longevidade do seu futebol quanto as dificuldades estruturais que mantiveram os Faraós afastados da competição.


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  • 28.05.2026 às 10:32
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Quatro participações na Copa do Mundo em quase um século: o percurso da seleção nacional egípcia reflete tanto a longevidade do seu futebol quanto as dificuldades estruturais que mantiveram os Faraós afastados da competição planetária. Em 2026, pela primeira vez na história, eles encaram um Mundial com um formato ampliado para 48 equipes, que concretamente transforma suas chances de alcançar a fase de eliminação direta. O desafio não é simbólico: é um verdadeiro teto de vidro que o Egito busca quebrar.

Uma história mundial marcada por longos silêncios

O primeiro capítulo dessa epopeia remonta a 1934, na Itália. O Egito se torna a primeira nação árabe e africana a disputar uma fase final de Copa do Mundo. No Estádio Giorgio Ascarelli, em Nápoles, diante de uma Hungria que estava entre as melhores equipes da era amadora, os Faraós mantêm a cabeça erguida: Abdelrahman Fawzy marca dois gols antes que a derrota por 4-2 ponha fim à sua aventura. Uma saída pela porta da frente, no sentido histórico do termo.

Depois, é preciso esperar até 1990 e o trabalho metódico de Mahmoud El-Gohary para ver o Egito retornar à competição suprema. A classificação passa por um confronto decisivo contra a Argélia: empate 0-0 em Constantine, seguido de vitória 1-0 no Cairo graças a um cabeceio de Hossam Hassan. O mesmo Hassan é hoje o treinador da seleção nacional, tornando-se o primeiro egípcio a participar da Copa do Mundo tanto como jogador quanto como treinador – uma continuidade rara no futebol africano.

Entre essas duas presenças mundiais, e especialmente após 1990, o Egito compensou sua ausência prolongada do Mundial com uma notável dominação continental. Quatro títulos na Copa Africana de Nações – em 1998 sob El-Gohary, e depois três consecutivos em 2006, 2008 e 2010 sob Hassan Shehata – fazem dos Faraós a equipe mais vitoriosa do continente nesse período. Detalhe revelador: os quatro finalistas derrotados durante essas conquistas – África do Sul, Costa do Marfim, Gana e Camarões – acumularam mais participações na Copa do Mundo do que o próprio Egito. A supremacia africana e a presença mundial nem sempre se sobrepõem.

A noite de Alexandria e a renascença de 2018

O momento mais forte da história recente do futebol egípcio ocorre em novembro de 2017, no Estádio Borg El Arab, em Alexandria. Contra o Congo-Brazzaville, em um jogo qualificatório decisivo, o Egito sofre o empate. Mohamed Salah desaba no gramado. A cena percorre o mundo: o atacante do Liverpool, no auge de sua carreira no clube, parece carregar sozinho o peso de vinte e oito anos de ausência mundial.

Mas é ele quem converte o pênalti nos minutos finais, garantindo a vitória por 2-1 e pondo fim a uma seca de quase três décadas. Esse momento concentra o que o futebol pode produzir de mais forte: uma dramaturgia coletiva, uma redenção individual e uma libertação nacional. A classificação para a Rússia 2018 não atendeu a todas as promessas em campo – o Egito não passou da fase de grupos – mas reafirmou que os Faraós pertenciam a essa cena.

1928, as raízes olímpicas de uma ambição continental

Antes mesmo da primeira Copa do Mundo, o Egito já havia deixado sua marca na cena internacional. Durante os Jogos Olímpicos de 1928 em Amsterdã – competição então sob a autoridade da FIFA, antes da criação do Mundial em 1930 – os Faraós terminaram em quarto lugar. Eles eliminaram a Turquia por 7-1 na fase de grupos, e depois venceram Portugal por 2-1 nas quartas de final. A derrota por 6-0 para a Argentina na semifinal, seguida de uma nova derrota contra a Itália pela medalha de bronze, não diminui a importância dessa performance. Em 1928, o Egito já se afirmava como uma força futebolística capaz de rivalizar com as grandes nações europeias e sul-americanas.

Esse passado alimenta uma identidade futebolística singular: a de um país que sempre soube produzir talento, mas que frequentemente careceu da regularidade necessária para se inscrever de forma duradoura nos grandes eventos mundiais. O formato ampliado do Mundial 2026, com suas 48 equipes e oito terceiros lugares qualificados para as oitavas de final, modifica a equação. Pela primeira vez, uma saída da fase de grupos não exige mais uma performance perfeita. Os Faraós provavelmente nunca terão uma melhor oportunidade de ultrapassar esse limite que lhes escapa desde 1934.

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