Marrocos enfrenta o Egito pela terceira posição da CAN U17, honra em jogo em Maâmora

Derrotados na semifinal, mas ainda em busca de uma medalha, Marrocos e Egito se encontram nesta segunda-feira, 1º de junho, no Complexo Mohammed VI de Futebol de Maâmora para a pequena final da Copa Africana de Nações U17 202…


  • por ,
  • 02.06.2026 às 05:17
4 min de leitura

Derrotados na semifinal, mas ainda em busca de uma medalha, Marrocos e Egito se encontram nesta segunda-feira, 1º de junho, no Complexo Mohammed VI de Futebol de Maâmora para a pequena final da Copa Africana de Nações U17 2026. Um jogo sem título, mas carregado de significado, para duas seleções que compartilham uma história futebolística entre as mais ricas do continente. O apito inicial está previsto para às 20h.

Duas eliminações dolorosas, uma última chance de terminar de pé

Os “Leõezinhos do Atlas”, atuais campeões continentais, viveram uma saída cruel. Após um empate 1-1 contra o Senegal na semifinal, perderam nos pênaltis por 6-7, deixando escapar o sonho de conquistar o título em casa. O Egito, por sua vez, sofreu o mesmo destino contra a Tanzânia, derrotado nas mesmas proporções. Dois cenários quase idênticos, duas nações feridas, um encontro decisivo para a hierarquia final do torneio.

Esse tipo de partida, muitas vezes qualificado de “consolação” na linguagem comum, reveste-se na realidade de uma importância estratégica raramente desprezível para as seleções de jovens. No nível U17, os jogadores estão em plena construção identitária em sua relação com o alto nível: terminar com uma vitória, mesmo em terceiro lugar, pode ter um peso psicológico e formativo considerável em carreiras ainda em gestação.

Uma vantagem moral para o Marrocos, mas uma equipe egípcia experiente

Na fase de grupos, o Marrocos havia superado o Egito por um gol a zero, o que lhe confere uma leve vantagem mental ao se aproximar deste confronto direto. Esse precedente não é suficiente para prever o resultado, mas coloca os marroquinos em uma relação de força psicologicamente favorável. As partidas pela terceira posição têm sua própria lógica: liberadas da pressão do título, as equipes jogam às vezes de forma mais livre, o que pode beneficiar aquela que aborda o encontro com mais serenidade.

O Egito, acostumado há décadas a rivalizar com as melhores seleções africanas de todas as categorias, possui uma cultura de competição profundamente enraizada. Os jovens Faraós não se deslocarão a Maâmora para fazer figuração. A capacidade deste grupo de se recuperar após uma eliminação nos pênaltis – um dos exercícios mais traumáticos do futebol – dirá muito sobre sua maturidade coletiva.

A questão Tiago Lima Pereira: além da classificação, a legitimidade em questão

Para o treinador marroquino Tiago Lima Pereira, este jogo reveste-se de uma dimensão adicional. Apesar da classificação do Marrocos para a Copa do Mundo U17 – objetivo principal do torneio para a federação – o técnico tem sido alvo de críticas na imprensa e entre os torcedores. A eliminação na semifinal, em um torneio realizado em casa, alimentou as dúvidas sobre suas escolhas táticas e a gestão do grupo.

Uma vitória nesta segunda-feira não resolverá essas questões por si só, mas permitiria ao treinador encerrar este ciclo com uma imagem positiva. No futebol de formação, a fronteira entre resultados imediatos e desenvolvimento a longo prazo é frequentemente mal compreendida pelo grande público: um treinador pode construir corretamente sem sempre levantar troféus. O veredicto popular, por sua vez, muitas vezes permanece atrelado ao resultado final.

O Complexo Mohammed VI, símbolo de uma ambição nacional

A escolha de Maâmora para sediar este torneio não é aleatória. O Complexo Mohammed VI de Futebol, inaugurado no final dos anos 2010, representa um dos centros de formação mais modernos do continente africano. Com seus campos em conformidade com normas internacionais, suas infraestruturas de hospedagem e suas instalações médicas, ele encarna a política marroquina de estruturação do futebol de base, pensada a longo prazo em vista das grandes datas que se aproximam, incluindo a Copa do Mundo 2030 que o Marrocos co-organizará. Disputar a final pela terceira posição neste contexto também é lembrar aos jovens jogadores a visão na qual estão inseridos.

você também pode gostar