No dia 1º de maio às 14h30, a equipe nacional feminina Sub-17 do Vietnã estreia no Campeonato Asiático Sub-17 Feminino 2025 contra a Tailândia, em uma das rivalidades mais constantes do futebol feminino jovem no Sudeste Asiático. Um jogo decisivo logo na estreia: uma vitória permitiria às vietnamitas obter uma vantagem crucial na corrida pela qualificação no grupo A, que está sendo realizado na China.
Uma Rivalidade Regional Carregada de História
Entre o Vietnã e a Tailândia, os confrontos nunca são triviais. Em todos os níveis – sêniores, esperanças, jovens – cada confronto entre essas duas nações carrega o peso de uma história futebolística comum, marcada por partidas equilibradas e orgulho nacional. Para a geração Sub-17, essa pressão histórica é ainda maior, já que as vietnamitas nunca conseguiram vencer suas homólogas tailandesas em confrontos diretos anteriores nesta faixa etária.
A lembrança dolorosa da derrota por 1-4 imposta pela Tailândia às Sub-20 vietnamitas ainda está fresca na memória. Os torcedores esperam que as Sub-17 consigam, elas, inverter a tendência e devolver um pouco do brilho à reputação do futebol feminino juvenil vietnamita no cenário continental. É nesse contexto emocional e esportivo que a seleção treinada por Okiyama Masahiko se prepara para este primeiro jogo.
Uma Preparação Séria, Sinais de Progressão
Distante de chegar sem preparação, o grupo vietnamita realizou um estágio no Japão antes de se juntar à China, onde disputou três amistosos instrutivos. O primeiro, uma derrota contundente por 0-5 contra o colégio Fujieda Junshi, destacou a diferença de nível em relação ao futebol escolar japonês, conhecido por sua intensidade e disciplina tática. As duas partidas seguintes mostraram uma trajetória mais encorajadora: um empate 0-0 contra o colégio Iwata Higashi e um empate 2-2 contra a Universidade Aichi Toho, com gols marcados e uma organização ofensiva mais clara.
Esses resultados não são insignificantes. Um estágio no Japão representa para uma seleção asiática em desenvolvimento uma exposição valiosa a um futebol técnico, exigente fisicamente e taticamente estruturado. A progressão observada entre o primeiro e o terceiro amistoso sugere uma assimilação gradual das orientações da comissão técnica, liderada pelo técnico japonês Masahiko. A meio-campista Nguyễn Thị Ngọc Ánh, figura emblemática deste grupo, destacou a qualidade do trabalho realizado: “A equipe se preparou com cuidado para este torneio, tanto durante o estágio no Japão quanto nos treinos no Centro de Formação do Futebol Jovem do Vietnã. Estamos nos adaptando rapidamente às novas orientações táticas. Com determinação e o apoio de nossos torcedores, almejamos a vitória.”
A Tailândia, um Adversário Reforçado por sua Diáspora
A seleção tailandesa não se apresenta como uma equipe comum. Entre suas jogadoras estão duas atuando no exterior: Mirika Sheila Murdoch, do clube Meriden na Austrália, e a atacante Supansa Danik van Engelen, que joga no Hera United na Holanda. Essa capacidade de convocar jogadoras formadas em campeonatos europeus ou oceânicos demonstra um potencial diaspórico que a federação tailandesa mobiliza ativamente, uma prática cada vez mais comum no futebol feminino asiático nas categorias de base.
Para o Vietnã, essa realidade impõe uma vigilância tática especial. Os perfis formados na Europa costumam trazer uma leitura de jogo diferente – mais direta, mais física – capaz de desestabilizar defesas despreparadas. Nesse contexto, um empate não seria necessariamente uma decepção para as vietnamitas, embora a ambição expressa pela comissão técnica permaneça claramente voltada para a vitória.
Um Desafio Esportivo e Simbólico para o Futebol Feminino Juvenil no Vietnã
Além do resultado imediato, esta partida se insere em uma dinâmica mais ampla. A presença do Vietnã no Campeonato Asiático Sub-17 Feminino 2025 representa um passo na estruturação progressiva do futebol feminino juvenil no país. O desenvolvimento de programas de formação, a exposição a competições continentais e a contratação de treinadores estrangeiros qualificados – como demonstra a escolha de Okiyama Masahiko para liderar o grupo – são sinais de uma ambição institucional crescente.
A saúde física do grupo é uma vantagem: nenhuma lesão foi registrada antes do apito inicial, e as jogadoras tiveram tempo para se aclimatar às condições climáticas chinesas. É com esse espírito que a Seleção Feminina Sub-17 do Vietnã enfrenta este torneio – com a lucidez de quem sabe onde está e a determinação de quem quer ir mais longe.